Módulo 2 – Signos/Legendas

GEODEM Signos

 PARA VER E MAPAS PARA LER

 O Mapa para Ler fornece respostas sob a condição de se haver decorado a legenda, ou seja, fornece a informação em nível elementar.

 O Mapa para Ver permite que se perceba instantaneamente a informação. Ele regionaliza a imagem.

Transformar mapas feitos para ler em mapas para ver, implica em rever concepções tradicionais que dão prioridade ao estético para dar lugar a princípios que permitam a construção de mapas operacionais. Esta é a proposta da semiologia gráfica de Jacques Bertin, que sistematiza as bases de uma estrutura da linguagem visual.

A SEMIOLOGIA GRÁFICA

É uma proposta no mundo das imagens que permite transformar mapas feitos para ler em mapas para ver. Com exceções muito raras, as representações gráficas sob quaisquer de suas formas (diagramas, mapas, etc.) são concebidas como ilustrações que não condizem com regras da linguagem visual. O ponto de partida da semiologia gráfica é não admitir um mapa ou um gráfico como sendo mera ilustração. Tanto no processo de construção gráfica como no de sua apresentação, o autor deve obedecer às propriedades específicas da percepção visual.

Passa-se, assim, ao domínio do raciocínio lógico (Martinelli, 1996). Não há convenções; fazer esta Cartografia significa mostrar a diversidade pela diversidade visual; a ordem pela ordem visual e a proporção pela proporção visual. Transgredir esta regra básica significaria realizar uma comunicação enganosa (Martinelli, 1990).

A eficácia de uma representação gráfica pode ser conseguida, principalmente, observando-se duas etapas na sua construção:

1- Definir as características do tema. Os elementos que constituem o tema podem ser diferentes entre si, ou podem estar unidos por uma relação de ordem, ou podem exprimir quantidades; isto permite distinguir 3 níveis de organização: o nível diferencial (#), o nível ordenado(O) e o nível quantitativo(Q).

2- Escolher dentre as variáveis visuais disponíveis qual ou quais representariam melhor aquele tema. As variáveis visuais são exploradas pela variação de tamanho, valor, granulação, cor, orientação e forma.

Nem todas as variáveis visuais admitem todos os níveis de organização, e esta condição é uma das fontes de erros nas representações gráficas.

O quadro a seguir resume a questão das relações fundamentais (O, Q, # , = ) e sua organização em relação às variáveis visuais, e que aspectos estas assumem nas diferentes implantações.

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OS MÉTODOS DE REPRESENTAÇÃO

No campo da Cartografia Temática, a Cartografia coloca à disposição das ciências que a requisitam uma série de modos de representação para mostrar aspectos qualitativos, ordenados e quantitativos de seus objetos de estudo. Pode-se empreender uma apreciação do ponto de vista estático ou dinâmico, sendo que a manifestação dos fenômenos pode se dar em forma pontual, linear ou zonal (Martinelli, 1988 e 1991).

As Representações Qualitativas (#) são empregadas para expressar a existência, a localização e a extensão das ocorrências dos fenômenos ou de suas categorias que se diferenciam pela natureza ou tipo, podendo ser classificadas. Abordam a ocorrência sem considerar a intensidade da manifestação, no entanto podem ser colocadas, se for de interesse, em uma ordem lógica. Por exemplo, o mapa de uso do solo, onde a variável visual “cor” poderia ser empregada.

Transcrever muitos caracteres num mapa poderá torná-lo de uso difícil. Existem dois enfoques para este problema:

a) Para responder a questão “tal caráter, onde está?” é preciso fazer um mapa por caráter, e assim sugere-se então a coleção de mapas;

b) Quando a questão pertinente é “o que existe em tal lugar?” É preciso então superpor os caracteres num mapa e utilizar as variáveis visuais de separação.

Por outro lado, para responder a ambas as questões é então preciso construir a e b.

As Representações Ordenadas (O) são indicadas quando as categorias dos fenômenos se inscrevem numa seqüência única e consensualmente admitida, e a relação entre os objetos é de ordem. Por exemplo, densidade demográfica no Estado de São Paulo. Uma variável visual adequada para o caso é o “intensidade“.

As Representações Quantitativas (Q) são empregadas para evidenciar a relação de proporcionalidade entre objetos. Esta relação deve ser transcrita por relações visuais de mesma natureza. A única variação visual que transcreve corretamente esta noção é a de “tamanho”.

Por exemplo, em uma implantação pontual, círculos de tamanhos proporcionais ao número de favelas por uma região (“método das figuras geométricas proporcionais” – onde ocorre a variação de tamanho de um único símbolo centrado na área de ocorrência). Em uma implantação zonal, sugere-se conforme Martinelli (1991) um dos seguintes métodos:

1 – “Método dos pontos de contagem” – expresso com variação do número de pontos iguais distribuídos regularmente ou não pela área de ocorrência;

2 – “Método da distribuição regular de pontos de tamanho crescentes”  – expresso com a variação de tamanho de pontos regularmente distribuídos pela unidade observacional;

3 – “Método coroplético” – apresenta uma série de valores visuais pré-estabelecidos (Q/A, onde A= Área).

Nas Representações Dinâmicas, a prática mais comum para se construir a noção de dinamismo é a de confrontarmos várias edições de um mesmo tipo de mapa, numa seqüência temporal.

O tempo e o espaço são duas variáveis, fundamentais nas atividades humanas, impossíveis de serem dissociados. As representações dinâmicas devem traduzir a dinâmica social que alteram o espaço geográfico ao longo do tempo. Esse dinamismo dos fenômenos pode ser transcrito pelas variações quantitativas ou pelas transformações dos estados de um fenômeno, que se sucedem no tempo para um mesmo lugar; no espaço, o fenômeno se manifesta através de um movimento, deslocando certa quantidade de elementos através de certo percurso, dotado de certo sentido e direção, empregando para isso, um certo tempo (Martinelli, 1991).

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